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Movimento Hare Kṛṣṇa

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Sociedade Internacional para a Consciência de Kṛṣṇa, ou simplesmente ISKCON (International Society for Kṛṣṇa Consciousness) é uma associação religiosa, filosófica e cultural derivada do Hinduísmo Vaiṣṇava fundada em 1966 na cidade de Nova York pelo pensador indiano A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupāda (Śrīla Prabhupāda), é conhecida popularmente como Movimento Hare Kṛṣṇa e atualmente possui mais de 350 centros culturais, 60 comunidades alternativas, 50 escolas e 60 restaurantes no mundo todo.

A partir da década de 1970, após a visita de alguns discípulos de Śrīla Prabhupāda, atendendo ao apelo de um estudante de Odontologia de Salvador-BA, Bhakta Ivan (agora SS Dhanvantari Swami), em carta dirijida a Śrīla Prabhupāda nos Estados Unidos, e sob a liderança de Hridayānanda das Goswami, o Movimento Hare Kṛṣṇa chega ao Brasil, onde estabelece diversos templos e comunidades nos anos que se seguiram.

O fundador

Abhay Charanaravinda Bhaktivedanta Swami Prabhupāda (ou Śrīla Prabhupāda) nasceu em 1896 em Calcutá, Índia. Seus pais pertenciam à classe média alta, e ele teve a oportunidade de estudar em escolas altamente conceituadas, além de ser criado com base nos princípios védicos tradicionais.

Na juventude, trabalhou como químico e teve uma proeminente indústria de produtos farmacêuticos. Casou-se e teve algum envolvimento com o movimento de Mahātmā Gandhi.
Em 1922, conheceu Bhaktisiddhānta Sarasvatī, líder religioso e fundador de 64 Gauḍīya Maṭhas (institutos védicos). Śrīla Prabhupāda tornou-se seu admirador e, em 1933, seu discípulo formalmente iniciado.
Logo no seu primeiro encontro, Bhaktisiddhānta Sarasvatī pediu a Śrīla Prabhupāda para difundir o conhecimento védico em inglês. Nos anos que se seguiram, Śrīla Prabhupāda escreveu um comentário sobre o Bhagavad-gītā, ajudou a Gauḍīya Maṭha e, em 1944, fundou a revista quinzenal em inglês Back to Godhead (Volta ao Supremo). Sozinho, Śrīla Prabhupāda editava, datilografava os manuscritos, checava as provas e distribuía pessoalmente cada cópia. Seus discípulos continuam publicando a revista no Ocidente até hoje.
Em 1950, Śrīla Prabhupāda retirou-se da vida familiar, adotando a ordem de vānaprastha (vida retirada) para devotar mais tempo a escrever e estudar. Passou muitos anos residindo no templo histórico de Rādhā-Dāmodara, em Vrindavan. Em 1959 aceitou a ordem renunciada de vida (sannyāsa). No templo de Rādhā-Dāmodara ele começou a trabalhar naquilo que seria a obra-prima de sua vida: uma tradução comentada em vários volumes dos 18.000 versos do Shrimad-Bhagavatam (Bhāgavata Purāṇa). Nesse mesmo período também escreveu Fácil Viagem a Outros Planetas.
Depois de publicar três volumes do Bhāgavatam, Śrīla Prabhupāda viajou para os Estados Unidos, em setembro de 1965, para cumprir a missão delegada por seu mestre espiritual. Trazia consigo nada mais do que uma muda de roupa, alguns livros e sete dólares. Durante a viagem, a bordo do navio cargueiro Jaladhuta, sofreu dois ataques cardíacos.
Nos primeiros anos em Nova York, Prabhupāda viveu como hóspede de imigrantes indianos, intelectuais, místicos e hippies. Só conseguiu fundar a ISKCON após quase um ano de grandes dificuldades e privações.
Antes de sua morte em 14 de novembro de 1977, Prabhupāda viu seu Movimento crescer, iniciou milhares de discípulos, escreveu obras que são usadas em universidades do mundo inteiro e já foram traduzidas para mais de 50 idiomas, deu a volta ao mundo quatorze vezes para ministrar conferências, e, sozinho, tornou “Hare Kṛṣṇa” uma expressão familiar.

Sete propósitos da ISKCON

Ao fundar o ISKCON, Śrīla Prabhupāda elaborou sete propósitos para a união no espírito de devoção, cultivando a pura consciência a serviço amoroso de Deus.
São eles:
1. Propagar o conhecimento espiritual entre as sociedades a fim de educar todas as pessoas nas técnicas da vida espiritual, restabelecendo o equilíbrio dos valores na vida e, finalmente, alcançando a verdadeira união e paz mundiais;
2. Propagar a consciência de Kṛṣṇa (Deus), assim como foi revelada nas grandes escrituras da Índia, o Bhagavad-gītā e o Śrīmad Bhāgavatam;
3. Unir os membros da sociedade e torná-los mais próximos de Kṛṣṇa (a entidade primordial). Iṣṭo fará com que cada alma (tanto dos membros, como da sociedade) seja parte integrante de Kṛṣṇa;
4. Ensinar e encorajar o movimento de saṅkīrtana – o canto congregacional do santo nome de Deus – tal como foi revelado nos ensinamentos do Senhor Śrī Caitanya Mahāprabhu;
5. Erguer, para os membros da sociedade e demais, um local sagrado de passatempos transcendentais dedicado à personalidade de Kṛṣṇa;
6. Manter os membros unidos com a finalidade de ensinar um modo de vida mais simples e natural;
7. Publicar e distribuir periódicos, revistas e livros com os propósitos acima mencionados.

Ensinamentos básicos

A filosofia Hare Kṛṣṇa é muito vasta, mas os ensinamentos básicos são:
1. Crença em um únīco Deus, mas que tem infinitos nomes e infinitas formas conforme Suas infinitas qualidades. O nome principal de Deus é Kṛṣṇa, que significa “O Todo-Atrativo”, e, portanto, engloba todas as demais qualidades.
2. Kṛṣṇa possui seis opulências principais: beleza, inteligência, força, fama, riqueza e renúncia. Tem o corpo azulado, rosto juvenil, e gosta de tocar flauta e brincar em companhia de Seus servos e servas em Sua morada espiritual.
3. Não somos o corpo, mas almas espirituais eternas, plenas de conhecimento e bem-aventurança.
4. A alma espiritual vem ao mundo material por ilusão. Todos os seres vivos (plantas, animais e seres humanos) são almas espirituais, presas a um ciclo de nascimentos e mortes na Terra e em outros planetas materiais. Conforme suas ações em vida, a alma recebe um corpo apropriado após a morte. Isso é denominado karma.
5. Na forma de vida humana a alma tem a oportunidade de voltar ao mundo espiritual. Para isso, deve desenvolver “consciência de Kṛṣṇa” – reviver sua consciência espiritual original que está adormecida e, assim, servir a Deus com amor espontâneo. De acordo com os Vedas, se a pessoa não pratica algum tipo de espiritualidade, sua vida é idêntica à dos animais: resume-se em comer, dormir, defender-se e acasalar-se.
O sistema doutrinário dos seguidores de Prabhupāda não está limitado à questão teológica: abrange todos os campos do comportamento humano, como alimentação, vestuário, organização familiar, etiqueta, organização social, economia, higiene, arquitetura, belas artes, música, dança, literatura, astrologia, concepções pedagógicas, técnicas agrícolas e pecuárias, etc. Enfim, é um sistema completo e com características bastante peculiares, que muitas vezes destoam daquilo que os ocidentais considerariam comum.

O Mahā-mantra

Hare Kṛṣṇa Hare Kṛṣṇa
Kṛṣṇa Kṛṣṇa Hare Hare
Hare Rāma    Hare Rāma
Rāma Rāma   Hare Hare

Essa composição é denominada mahā-mantra, ou seja, o “Grande Canto para a Liberação”. Durante muitos milênios, era conhecido somente na Índia, e apenas pelos brâmanes que estavam em graus muitíssimo avançados de austeridade e erudição. No século XVI, Caitanya Mahāprabhu divulgou o mahā-mantra à população em geral, sem fazer distinção de idade, cor, sexo, caṣṭa ou religião. E no século XX, o mantra Hare Kṛṣṇa disseminou-se por todos os continentes graças ao trabalho de Śrīla Prabhupāda. Afinal, Caitanya Mahāprabhu profetizara que um dia até as menores vilas e aldeias ouviriam o cantar de Hare Kṛṣṇa.
A palavra Hare é uma invocação à energia divina.
A palavra Kṛṣṇa significa a Suprema Personalidade de Deus, o Todo-Atrativo.
E a palavra Rāma é outro nome de de Deus que significa “o reservatório de prazer, a bem-aventurança, a felicidade eterna”.
O mahā-mantra não tem, por assim dizer, uma tradução literal, mas segundo Śrīla Prabhupāda, enquanto canta a pessoa deve mentalizar a seguinte prece:
“Ó Senhor Todo-Atrativo! Ó energia do Senhor! Por favor, ocupai-me no Vosso serviço!”.
Acredita-se que cantar Hare Kṛṣṇa coloca a pessoa em um contato direto e perfeito com Deus.
Em outras eras, usava-se outros processos para alcançar Deus, como meditação, sacrifícios, penitências, etc, mas na era atual (Kali Yuga, a era da hipocrisia e das desavenças) o cântico desse mantra é o processo mais simples, fácil, prático e agradável para unir-se a Deus e libertar a própria alma.
Não há regras ṛígidas para cantar o mantra Hare Kṛṣṇa. Poḍe ser cantado mentalmente, murmurando ou em voz alta. Poḍe ser simplesmente recitado, ou então cantado com diferentes melodias. Poḍe ser cantado a qualquer hora do dia e da noite, e em qualquer lugar, inclusive enquanto se executa outras atividades.
Os membros oficiais da ISKCON, que passaram pela cerimônia de iniciação, usam um rosário denominado japa-mālā, composto de 108 contas feitas da madeira tulasī. Eles comprometem-se a cantar um mínimo de 16 voltas do rosário diariamente, o que corresponde a cantar Hare Kṛṣṇa 1728 vezes por dia.
A repetição do mantra poḍe levar a êxtases, estados alterados de consciência, e é comum que durante o canto os devotos manifestem o êxtase através de arrepios, alterações de voz, gritos, choros, gargalhadas, etc. Mas o primeiro sintoma do êxtase é o ímpeto de dançar à medida que se canta o mantra.

Princípios reguladores

Śrīla Prabhupāda estabeleceu quatro regras morais indispensáveis para que se possa levar uma vida sadia, pura, civilizada e mais próxima de Deus. Essas regras são chamadas os Princípios Reguladores:
- não comer carne, peixe ou ovos. A ISKCON propõe o lacto-vegetarianismo como o regime alimentar ideal para o ser humano, visto que dispensa a violência desnecessária contra os animais.
- não praticar sexo ilícito. Relações sexuais só são autorizadas dentro do casamento, e somente para a reprodução. A luxúria, a busca de desfrute sexual, é apontada por Prabhupāda como o maior inimigo da alma, pois faz com que a entidade viva se esqueça de Kṛṣṇa e se apegue cada vez mais ao corpo.
- não participar de jogos de azar. Eles indiscutivelmente aumentam a ira, a inveja, a ansiedade e a cobiça.
- não usar intoxicantes: álcool, fumo, maconha, cocaína, drogas em geral e qualquer produto que contenha cafeína. Usar estas substâncias obscurece sem necessidade a mente, que já está obscurecida por toda a espécie de conceitos materiais de vida.

Princípios adicionais

Além de cantar Hare Kṛṣṇa, não comer carne, não praticar sexo ilítico, não jogar e não se intoxicar, os membros e simpatizantes da ISKCON seguem outros padrões de conduta tais como:
- leitura dos livros de Prabhupāda. Acredita-se que a leitura com espírito de devoção equivale a estar pessoalmente em contato com o mestre espiritual.
- oferecer o alimento a Kṛṣṇa antes de consumí-lo. Os devotos não comem nem bebem nada sem primeiramente oferecê-lo a Kṛṣṇa com mantras e orações específicos. Assim, a comida se torna prasādam, ou seja, alimento sagrado.
- adoração à Deidade. A Deidade é uma escultura ou pintura de Kṛṣṇa presente nos templos e nos altares domésticos, e é tratada como um hóspede de honra. Os devotos adoram a Deidade oferecendo alimentos, água, flores, incensos, velas e outros elementos; prostrando-se, cantando e dançando diante dela; recitando mantras e preces.
- associação com os devotos. Dá-se preferência à companhia de outras pessoas conscientes de Kṛṣṇa e evita-se os relacionamentos com pessoas que possam ser obstáculo ao caminho do avanço espiritual.
- peregrinações aos lugares sagrados, tais como Vrindavan, onde Kṛṣṇa passou a infância e a adolescência.

Alimentos para a Vida

Uma das mais belas iniciativas do Movimento Hare Kṛṣṇa é o programa “Food for Life” (Alimentos para a Vida), que promove a distribuição gratuita de comida lacto-vegetariana entre as populações que vivem abaixo do limiar de pobreza.
O programa “Food for Life” foi criado por Śrīla Prabhupāda em Māyāpur no ano de 1972, depois de ter visto as crianças disputando comida com os cães, nas ruas da aldeia.
Śrīla Prabhupāda então declarou: “Ninguém deve passar fome num raio de 10km de nossos templos”.
O movimento Food for Life tem desempenhado um papel importante no combate à fome, afirmando-se como o maior serviço de auxílio alimentar vegetariano do mundo. Serviu mais de 58 milhões de refeições vegetarianas nas duas últimas décadas. Além da sua excelente missão de ajuda aos sem-abrigo, este programa permite dar a conhecer a comida vegetariana a um grande número de pessoas, promovendo assim o vegetarianismo enquanto estilo de vida mais saudável, ético e ecológico.

Festival de domingo

Aos domingos, os templos Hare Kṛṣṇa abrem as portas para um Festival do qual todos podem participar.
Devotos e visitantes cantam, dançam, assistem uma palestra sobre algum tópico espiritual, e por fim saboreiam prasādam, deliciosas preparações lacto-vegetarianas oferecidas à Deidade.

Ratha-Yātrā

As principais cidades em que o Movimento está estabelecido realizam anualmente o festival denominado Ratha-Yātrā (“Festa das Carruagens”).
As Deidades saem às ruas numa pomposa carruagem, acompanhadas por muitos carros alegóricos, cânticos e bailados sagrados.
A comemoração tem origem nos desfiles realizados em Purī, na Índia.
O primeiro Ratha-Yātrā do mundo ocidental foi realizado em 1968, na cidade de San Francisco, por iniciativa de Prabhupāda e seus discípulos.

Relacionamento com outras religiões

Prabhupāda nunca considerou sua instituição a únīca forma de elevar o ser humano a um contato com Deus. Assim, a ISKCON respeita todos os movimentos religiosos, apesar de considerar que algumas formas de religiosidade são mais avançadas e genuínas que outras.
Participam de encontros ecumênicos, evitam criticar outras religiões, não insistem para que ninguém abandone sua religião e afilie-se à ISKCON, e reconhecem a validade de escrituras como a Bíblia e o Alcorão.

Curiosidades

- os devotos iniciados são orientados a raspar a cabeça, deixando apenas um tufo de cabelos na parte de trás, denominado śikhā. Segundo Prabhupāda, isso serve para diferenciar os vaishnava de outros grupos religiosos indianos, como os budistas, que raspam totalmente a cabeça, entre outras explicações.
- toma-se um banho frio ao acordar, e faz-se desenhos com tilaka em 13 partes do corpo. Tilaka é uma argila trazida especialmente da Índia e disponível nos templos.
- devotos iniciados recebem um nome espiritual, denominado Hari-nāma, e praticamente abandonam o nome civil. O nome espiritual é constituído por um dos nomes e títulos de Kṛṣṇa, seguido pela palavra Das ou Dāsa, que significa “servo”, ou Devī Dāsī para as mulheres. Por exemplo: Kṛṣṇa das – Rādhārāṇī devī dāsī.
- os Beatles tiveram um contato considerável com Śrīla Prabhupāda, tendo inclusive inserido trechos do maha-mantra em algumas canções. John Lennon, Paul MacCartney e Ringo Starr não simpatizavam muito com o rigor da filosofia, mas George Harrison tornou-se membro da ISKCON e importante divulgador do maha-mantra.

2 Responses to “Movimento Hare Kṛṣṇa”

  1. jose alfredo dos santos says:
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    curiosidade estou meio confuso.para ser iskcom posso viver do meu trabalho,manter minha familia manter meu emprego sem me desfazer do que conquistei honestamente? trabalhando e ajudando sempre os nescessitados.posso ser um iskon a ler cantar e adorar deus na linha krisna. um abraço preciso muito desta resposta.

  2. Girindra dasa says:
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    Olá José Alfredo.
    Hare Krishna.
    Para ser um membro da Iskcon você pode manter sua condição de vida atual sem se despojar de nada.
    O processo é muito simples e consiste apenas em cantar o Mantra Hare Krishna sem cometer ofensas. Para saber quais são e como evitá-las, você deve encontrar-se com os devotos de Krishna regularmente e aos poucos você irá entendendo todo o processo. Dessa forma você se ocupará em alguma atividade que satisfaça Krishna, de preferência sob a guia de um mestre espiritual, e passará e sentir direrentes sensações, que chamamos de ruchi, ou gosto, uma sensação que ao sentí-la você desenvolverá um desejo intenso de alcançar o estágio de amor puro por Deus.
    Resumidamente o processo é este, mas nada disso acontecerá se você não cantar Hare Krishna mesmo que num estágio inicial você cometa ofensas ao cantar. O cantar do mantra Hare Krishna pode ser feito em qualquer lugar, em qualquer momento e em qualquer circunstância.É o mantra que nos libera e não nossa condição de facilidades ou dificuldades materiais.

    Então, por favor cante Hare Krishna e estude a consciência de Krishna através dos livros de Srila Prabhupada e da associação dos devotos.

    ao seu dispor,

    Girindra das
    Portal Nova Gokula.

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